Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!

Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!
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12.12.06

XXVII_No_Onibus_parte_II


(continuação do post anterior)

O pessoal da agência guardou as malas de todo mundo no ònibus e a guia turística ficou falando um monte de baboseira sobre o hotel, sobre a cidade, etc etc etc. Aquela ladainha de sempre. Como se eu estivesse interessado! Um outro casra da agência verificou nossos documentos e pegou as cópias das autorizações, as originais estavam com a dona Norma. Lá pelas dez e vinte, dez e meia, estava todo mundo no ònibus. É claro que todo mundo ficou no andar de cima, que as poltronas são mais espaçosas, etc. O banheiro ficava no andar de baixo, na parte da frente do ônibus, e na parte de trás tinha mais umas quatro ou cinco fileiras de poltronas, e umas quatro televisões penduradas no teto. Que chato. Estávamos só o Pedro e eu ali no primeiro andar, bem lá no fundo, as luzes apagadas, e as TVs ligadas, passando filme. Nossa, que ótimo, poderíamos ver o filme sem encheção de saco! Claro, hehehe! Quando o ònibus saiu, algumas pessoas lá fora acenavam pras pessoas dentro do ònibus, lá no segundo andar. Famíla, provavelmente. Como eu achei ótimo não ter pra quem acenar! Em compensação... assim que o ônibus alcançou a estrada, eu abaixei o encosto do meu banco, e o Pedro fez o mesmo. E ali ele me deu um dos melhores beijos da minha vida!

A verdade é que estávamos tão empolgados que tudo parecia absolutamente mágico! E ainda tinha a adrenalina da situação, pois podia aparecer um a qualquer momento! Ainda bem que a luz do banheiro ficava o tempo todo acesa, então dava pra ver quando alguém estava descendo a escada. Mas ainda assim precisávamos ter cuidado. Imaginem se acabássemos dormindo agarrados e alguém aparecesse??? Não, não poderíamos dar essa bandeira. Então decidimos nos comportar o máximo possível, hehehe. Mas tava complicado! Que vontade absurda de arrancar a roupa dele ali mesmo! Sei lá, acho qua quando não podemos (ou pelo menos não devemos, eheheh) fazer uma coisa, ela parece ainda mais tentadora!! Nós ficávamos dando uns beijos, mas nada além disso. Mas é claro... o negócio foi esquentando, esquentando, esquentando... e eu ficando louco!
"Affe, Pedro!!!", eu sussurrei no ouvido dele. "Puta merda, se vc continuar mordendo meu pescoço não vai dar, kra, eu to louco de tesao!!!"
O maldito não disse nada. Ele sabia como me deixar maluquinho! Continuou me mordendo e me lambendo o pescoço de um jeito que fazia todos os meus pêlos arrepiarem! Affe, então o maledetto enfiou a mão dentro da minha bermuda, e ficou passando a mão por cima da cueca, enquanto, com a outra, segurava meu pescoço. Eu estava com uma das mãos no rosto dele, e a outra segurando firme no apoio de braço do ônibus, porque se eu tentasse enfiar a mão dentro da calça dele não ia dar coisa boa. Tinha certeza que ia acabar arrancando a camiseta dele ali mesmo! Mas ele continuou, é claro. Ai meu pai... ele estava me esfregando, e eu com as pernas inquietas, sentindo os dedos dos pés se entrelaçando dentro dos tenis, num tesao absoluto. Então ele enfiou a mão dentro da cueca e agarrou o Patrickzinho, que nessa hora estava louco pra sair da gaiola, ehehehe! Affe ele começou a bater uma pra mim ali, dentro do ônibus!!! Meu, sério, eu não podia acreditar naquilo! Nossa, nossa, nossa, eu tava suando frio já! Então ele fez o que eu temia. Ele estava sentado do lado do corredor, e eu na janela, lá no fundão do busão. Ele se abaixou e começou a me chupar. Oh my god! Eu espalmei a mão no vidro da janela e encostei a cabeça no banco, forçando com tudo pra trás. Affe, ele tava me chupando ali no ònibus mesmo, meu santo! Olha, acho que eu não teria achado assim tão absurdo se Murphy não estivesse, mais uma vez, me perseguindo: alguém desceu pra ir ao banheiro. Quando eu vi a silhueta da pessoa na frente da porta do banheiro, minhas pernas travaram, e eu quase tive um surto. Eu sussurrei o mais baixo que pude:
"Pedro, Pedro, Pedro, tem alguém no banheiro, páraaa!!!"

E o FDP fez o quê? Levantou a mão e tapou a minha boca, segurando firme mesmo - E CONTINUOU ME CHUPANDO, so que com mais orça ainda! Afffffeeeee!!!! Meu, se aquela pessoa decidisse ver que filme estava passando, seria o fim!!! Nossa, eu estaria completamente fudido, e o Pedro também! A viagem iria por água abaixo!! Mas o Pedro não parou, continuou lá, e eu com medo, mas morrendo de tesão ao mesmo tempo! Dio santo, a pessoa saiu do banheiro, e eu só olhando, e segurando os gemidos de prazer, e então fosse quem fosse, subiu de volta pro segundo andar. Euu respirei aliviado, mas ofegante, e logo comecei a sentir aquele calor e aquela sensação de êxtase que aparecem antes de vocês sabem o quê, e me segurava na poltrona, e o Pedro ali, me chupando! Nossa não deu trinta segundos e eu gemi bem baixinho, "Pe-Pedro, eu vou... eu vou...", mas ele não parou. Não teve como. Sentindo uma explosão de prazer, medo, alegria, paixão, eu gozei. Affe que vergonha com que eu fiquei!!! Nossa, eu gozei na boca dele, não sabia onde enfiar a cara. Então ele pegou o copo de água que tava no suporte no braço do banco, abriu e pôs água na boca, e cuspiu de volta dentro do copo. Fechou o alumínio de volta e largou o copo no suporte de novo. Ele se virou pra mim, eu com vergonha de encará-lo, e já ia pedindo desculpa, quando ele se inclinou e me beijou de novo, me deixando sentir o geladinho da água que ele acabara de pôr na boca.
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 20:38:34

XXVI_No_Onibus_parte_I


Ouvindo: Sigur Rós' "Glosoli"

"Legg upp í göngu
og tölti götuna
sé ekk(ert) út
og nota stjörnurnar
sit(ur) endalaust hún
og klifrar svo út".

Eu tô olhando pra fora da janela agora. São oito e dez da noite, e aquela voz linda do Jónsi, vocalista do Sigur Rós, tá enchendo o quarto. Nossa, como eu gosto dessa hora do dia. Sabem? No horário de verão, tipo entre sete e meia e oito e quinze? Quando escurece quase que de repente, mas fica aquele... como é o nome? Lusco-fusco, não é? Muito bom. O céu está tomado por nuvens, em volta da cidade. Quero dizer, lá em cima tá um azul-escuro, mas em volta, até onde a vista alcança, há nuvens carregadas. Mas ainda não começou a trovejar. Nem relâmpagos cortaram o céu ainda. Mas o vento já começou. Aqui do lado de casa tem uma praça e lá tem duas palmeiras imperiais gigantescamente enormes. Então, mesmo coma janela do quarto fechada, dá pra saber quando está ventando ou não. Por enquanto elas estão mexendo só de leve.

Olha isso! Oito e quinze da noite agora e já escureceu absurdo! Cinco minutos, é muito bizarro isso. Certo, ok ok, podem me chamar de doido varrido, mas eu gosto dessas coisinhas! ^^ De verdade. Hoje mesmo eu estava conversando com um garoto, e nós falávamos sobre como sobre como as pessoas normais são chatas. Ainda bem que existem bem poucas pessoas normais no mundo, huhuhuhu! Nada como um pouco de excentrismo pra tornar uma pessoa realmente interessante! Pelo menos em tese, rs. Ela pode acabar sendo uma chata de galochas (que expressão jurássica, meu pai!), mas pelo menos, por ser excêntrica, tinha meio caminho andado para ser interessante.

Daí as pessoas se perguntam o que é ser excêntrico. Seria não ser normal? Vá lá. E que raio então é ser "normal"? Eu acredito que ser "normal" é agir como as pessoas, normais ou não, esperam que ajamos. Sim, tudo culpa daquela velha hipocrisia que contamina essa porcaria de sociedade. Mas fazer o quê? Ela (a hipocrisia) existe e vai existir sempre. As pessoas não vão deixar de ser hipócritas só porque é feio. Se elas fazem coisas muito piores do que serem hipócritas, e não se sentem mal por isso, a hipocrisia é o de menos, acreditem.
Bom, por quê eu tô falando isso, eu não sei, hehehe, simplesmente me surgiu na cabeça, :p! Estou aqui é pra contar pra vocês da viagem né??? Pois vamos lá.

Como vocês sabem, quando queremos que o tempo passe rápido, ele insiste em se arrastar. Depois daquele dia, 7 de setembro, o mês de setembro não acabava nuncaaa! No fim do mês teríamos provas, então o Pedro e eu passamos boa parte do tempo estudando (entre outras coisas, rsss). Acho que era mais uma tentativa de ver se o tempo passava logo do que de sermos realmente aplicados no colégio, hehehe. Mas estava valendo. As malditas provas chegaram e se foram, comodas outras vezes. Eu me dando melhor em humanas e o Pedro em exatas, mas conseguindo notas razoáveis. Afinal, pra quê nos matarmos de estudar pra tirarmos 10 se poderíamos tirar um 7,5, ou 8, e passar mais tempo nos beijando??? Hehehe era um cálculo que até mesmo eu conseguia fazer, e via um lucro muito grande nele! ^^

Eu lembro que a Semana do Saco Cheio ia ser na 2ª do mês de outubro, porque coincidia com o niver do Pedro. Então finalmente chegou o dia!!! Era um sábado de um calor insuportável, e já não chovia há algum tempo. inha garganta estava constantemente seca, então eu precisava de um hidratante, rs... e que hidratante melhor que a boquinha carnuda do Pedro??? ^^ Ele já havia arrumado suas malas e estava em casa. Estávamos os três esperando a van que ia nos levar até a agência, de onde sairia o ônibus. Ah! Cabe lembrar como foi conseguir a assinatura da minha mãe, pra me autorizar a viajar, ehehehe... eu havia achado na internet (o que não se pode achar na net?) um modelinho de autorização, então fiz as modificações e a mãe do Pedro assinou a dele. Mas e a minha mãe? Eu estava com medo de que ela tivesse um súbito lapso de consciência, e se transformasse num ser humano por alguns instantes. Se ela resolvesse se preocupar comigo justo naquele momento, eu daria uma facada no estômago dela. E giraria a faca ainda, só pra ela sentir mais dor. Nossa, que cruel, eheheh tô brincando. Mas sério, apesar de a possibilidade de ela questionar o que estava assinando era tão remota que nem deveria ter me preocupado. Mas... como Murphy não escolhe a hora para agir, eu estava com receio. Na quarta-feira anterior à viagem a velha estava em casa por algumas horas, e não saía do telefone. Eu lá, com a maldita folha na mão, impaciente, andando de um lado pro outro. E a lazarenta não desligava a porcaria do telefone. Daí numa hora que alguém do outro lado da linha provavelmente pediu pra ela esperar, eu aproveitei a chance. Fui lá e disse: "preciso que você assine aqui". Affe. Quando ela pegou a folha, ia começar a ler, mas voltou a falar no telefone, o que desviou sua atenção. Ela fez um gesto como se pedisse uma caneta, eu entreguei e ela assinou. Quase saltando de alegria, tomei o papel da mão dela, nem liguei pra caneta, e corri pra área de serviço, onde a dona Norma molhava as plantas do jardim. Contei pra ela que tinha conseguido a assinatura e ela, apesar de estar visivelmente contente, balançou a cabeça como quem diz: "ah, esse garoto não tem jeito..." Tá! Como se eu não a conhecesse, ehehehe!
Mas bem, o que importa é que a velha coroca assinou a porcaria da autorização e estava chegando a hora de eu viajar com o meu namoradooo!!! Ok, ok, ok, coma dona Norma também, mas se ela estava pensando (e duvido que estivesse, eheheh) que ia ser uma pedra no nosso caminho, estava muito enganada, uhuhu! Mas tenho certeza de que não. Ela já se havia acostumado com a idéia. Claro que nós não ficávamos nos pegando na frente dela, afinal não é porque ela aceitava o nosso relacionamento que deveria ser obrigada a presenciá-lo né? Poxa, ela já tinha lá seus tantos anos, vivera numa época diferente, tivera uma criação diferente, com valores diferentes. Já era um milagre que ela aceitasse, esperar que também compreendesse e concordasse já seria demais. Quero dizer, seria esperar demais dela. Eu, bem como o Pedro, já estávamos felicíssimos por termos o que tínhamos. Não custaria nada maneirar quando ela estivesse por perto. Quando assistíamos, os três, a filmes em casa, ele ficava abraçado comigo no sofá, mas só. Os beijos ficavam pra depois, hehehe.

Lá pelas nove e meia da noite a van chegou em casa. O Pedro ligou pra casa dele pra se despedir novamente dos pais e fomos pra agência. Quando chegamos lá, o ònibus estava esperando. Nossa, que fenomenal! Era um double-decker muito style, azul e branco, muito massa! Não tinha muita gente, achoq ue no máximo umas vinte e cinco, contando com nós três. A esmagadora maioria era de pessoal mais velho, tipo acima dos 60. Acho que com menos de 20 anos mesmo, só nos dois. Certo, provavelmente com menos de 30. Não havia adolescentes ali além de nós dois. E nós achamos aquilo excelente, é claro! Por dois motivos: em primeiro lugar, a maioria ali iria passar a viagem toda dormindo. Em segundo, a dona Norma teria companhia lá no hotel, uhuhuhu! Nossa, foi perfeito. Se eu tivesse tentado escolher o dia, baseado na idade de quem ia viajar, provavelmente não teria tido tanta sorte. Um acaso muito, extremamente feliz!
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 20:35:44

XXV_Titulos_Invalidos_e_Dor_na_Bunda


Ouvindo: A Perfect Circle's "Gravity"

"I am surrendering to gravity and the unknown
Catch me, heal me,
Lift me back up to the sun
I choose to live..."

*************

Pois é...
Bom dia, pessoal!! em primeiro lugar, desculpem-me por demorar tanto a postar novamente. Mas olhem só...
Puxa, eu sou mesmo um cara de sorte. Minhas aulas acabaram sexta-feira passada. Pra sempre! O Terceirão se foi, e hoje ainda saiu a nota de corte da Fuvest: passei pra segunda fase. Fiz 65 pontos, mais a ajudinha do ENEM, deu pra ir pra 2ª fase. Será que isso é bom?
Enfim... Na sexta à noitinha eu comecei a me sentir um pouco enjoado, e talz, tomei um remedinho lá e melhorei. Mas no sábado de manhã minha cabeça parecia que ia explodir e minha garganta tinha virado um albergue de bactérias. Eu quase não conseguia respirar, não passava nem saliva direito garganta abaixo.
A Dona Norma (claro, rs) me levou ao médico e ele me mandou direto pro hospital, pra tomar soro e injeções. Eu, particularmente, sempre fui contra ficar tomando comprimidinho de seis em seis horas se duas injeções podem resolver o assunto. Mas desta vez não teve jeito, porque eu não conseguia engolir nada. Já ouviram falar de Benzetasil? Pois é. Uma no sábado, outra no domingo, e outra ontem. Parece que eu levei uma surra de um Hooligan. Como aquela desgraça dói, meu deus do céu!
Bem, foi por isso que eu ainda não escrevi o post. Não estou conseguindo ficar muito tempo na frente do computador, porque minha bunda dói como se tivesse agulhas fincando-se na carne. Affe.... me desculpem, por favor... prometo pagar com juros. De verdade.
E, pra melhorar tudo, eu não conseguia postar estas desculpas d ejeito nenhum, imaginem o trabalho que deu até descobrir que o Terra não tá, pelo menos temporariamente, deixando eu postar palavras acentuadas e espaços nos títulos! Bem, vocês viram como ficou o título né... que desgraça...
Mas! Dos males, o menor, como diz a dona Norma, rsss! Sério, prometo que vou me esforçar ao máximo pra postar logo sobre a viagem, ok???
Bjus! Meu, eu adoro vocês, já disse isso??? XD
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 18:49:45

05.12.06

XXIV - Operação Rio Quente (parte II)


(continuação do post anterior)

Posso com isso? Eu amo essa mulher, meu deus do ceu! Sério, eu tive vontade de pular no pescoço dela ali mesmo e enchê-la de beijos! Ela tava convencendo a dona Durona, ops, a dona Marisa!
- Olha, dona Norma, eu fico muito agradecida, mas uma viagem dessas é cara, o Antônio e eu ficamos sem graça dos pais do Patrick ficarem gastando assim com o nosso filho...

Claro que ela não sabia que eu tinha pago a viagem com o meu dinheiro, mas era melhor assim. Era melhor que pensassem que a Bruxa e o Leão é que estavam pagando - bom, indiretamente eram mesmo, mas, como se diz, "dinheiro dado é dinheiro perdido". Se está na minha conta, da qual só eu sei a senha, é meu. E aquela mulher estava começando a me irritar com a sua síndrome da vergonha na cara. Puta merda! Se "meus pais" estavam dispostos, é porque podiam caraca! ou ela achava que minha mãe, se ao menos soubesse que eu tinha gasto o meu dinheiro com o Pedro, ia mandar a conta pra ela depois? Ou, sei lá, achar que a dona Marisa e o seu Antônio estavam devendo alguma coisa, anfim! Affe! Quase mandei a mulher à puta que a pariu, mas provavelmente só ia piorar a situação. Então eu abri a mochila e tirei as reservas de dentro, e disse:
"Olha, dona Marisa... desculpa, mas as reservas já estão feitas, e eles não devolvem o dinheiro... eu sei que devia ter falado pro Pedro perguntar pra vocês antes, mas as reservas foram feitas e nem o Pedro sabia, era surpresa pra ele... pelo aniversário..."

Eu sempre achei que a mentira tinha uma função social. Via de regra eu detesto mentiras, mas às vezes elas podem servir pra fazer algo de bom! No caso, o "algo de bom" seria eu passar 5 dias transando com meu namorado em piscinas de águas naturais, quer uma coisa mais "algo de bom" que isso??? Hehehehe!

Olha, a mulher tava sendo um aerolito no meu sapato. Ôrra viu! Mas a dona Norma escolheu o momento certo pra enterrar a espada no peito da dona Marisa.
- Eu vou ser responsável por eles, dona Marisa. Cuidei desse garoto a vida toda, e Deus sabe como ele era o capeta na terra quando criança! Se eu dei conta de cuidar dele fazer ele virar gente, a senhora não precisa se preocupar. Cuidar dos dois num hotel cheio de mordomia, cheio de coisa pra fazer, cheio de gente fazendo de tudo pra atrair turista, nao vai ser nem a metade do trabalho que eu tenho pra arrumar a pia depois do almoço. Ora, a senhora nao confia em mim?

Que lazarentaaaaaa!!!!!! Meu deus, eu me coloquei no lugar da dona Marisa, e provavelmente teria dado um tiro no estômago da dona Norma por isso. Meu, que chance ela deixou pra mãe do Pedro? Ela ia falar o quê? "Não, não, e não. Eu sou orgulhosa e não vou deixar meu filho viajar de graça". Affe... se ela soubesse que essa viagem ia custar mais ao Pedro do que a mim (afinal, eu nao ia dar um minuto de descanso pra ele, hehehehe), ela não pensaria... bem, talvez daí mesmo que ela não deixaria ele ir, heehehhehe! Mas... adivinhem! DEU CERTO!!! Affe, quando a mulher alisou o vestido com as mãos, sabem, como se estivesse limpando uma sujeira que não existia, eu declarei o nocaute. E A DONA MARISA VAI À LONA! Jogou a toalha.
- Bem... bem, está bem. Mas a senhora saiba que eu não fico nada à vontade por o Pedro ficar tanto tempo lá, e por os pais do Patrick ficarem pagando as coisas pra ele...
A dona Norma sorriu, triunfante, e disse, colocando a mão sobre o joelho da dona Marisa:
- Não fica preocupada não. Essa criançada tem que aproveitar a vida enquanto pode não é mesmo? Depois vem mais responsabilidade, e trabalho, e filhos, e aí já viu! Não dpa tempo de mais nada!

Meu, o que era aquilo? Eu me perguntei se o Pedro estaria ouvindo aquela conversa. Provavelmente sim. Eu só queria suber correndo lá e contra logo pra ele! Não resisti e perguntei pra mãe dele:
"Então posso avisar o Pedro, falar que tá tudo certo?"
A dona Marisa só sorriu e balançou a cabeça. A dona Norma continuou conversando com ela enquanto eu tentava andar o mais calmamente possível até o quarto dele. Quando cheguei, a porta estava semi-aberta, ele dentro do quarto, com um sorriso enorme no rosto. Os olhinhos lindos brilhavam, brilhavam como eu acho que nunca tinha visto brilharem antes. Entrei no quarto e tranquei a porta atrás de mim. Eu acho que ele não esperava (porque caiu desequilibradamente), mas eu pulei em cima dele e fomos os dois pro chão. Senti meu corpo contra o dele, e nao demorou nadica pra eu me "animar", hehehe! Ele, apesar de com certeza estar adorando, ficou com medo, claro! Magina se a mae dele abre a portaaa! Ah, mas eu nao quis nem saber não. Tasquei-lhe um beijo daqueles lascivos mesmo! Sabem aqueles concursos de beijo, em que as pessoas apelam bruto, quase engolindo-se umas às outras? Pois foi bem assim. Ele tentou, por alguns instantes, se desvencilhar, mas eu segurei os pulsos dele encostados no chão e não o deixei se mexer. Claro que, sendo mais forte que eu, ele teria se "libertado" se quisesse, mas ahhhh.... ele não queria não, ehehehe! Sério. Eu já disse que o Pedro é calmo, e talz. Tipo, não é um tarado, insaciável por si só. Mas quando pega fogo... affe! Não tem quem segure (e não mesmo, afinal estamos sempre escondidos, e eu quero mais é que ele me queime com seu fogo, huhuhu!)! Ele finalmente me empurrou para o lado e deitou-se por cima de mim, encaixando as suas pernas entre as minhas, e segurando as minhas mãos, nossos dedos se entrelaçando. Meu cabelo estava todo jogado sobre o meu rosto, mas ele foi abrindo caminho até que sua boca encontrasse a minha novamente. Eu podia sentir o QUÃO ele estava excitado! Affe, aquilo estava me deixando louco! Mas o filho-da-mãe tinha planejado tudo! Quando eu estava quase arrancando os cabelos de tanto tesão, ele me imobilizou completamente, e parou de me beijar. Affe!!! Maldito!!! Eu queria gritar, implorar pra ele continuar, mas não podia! Ele me segurava de uma maneira que eu não podia escapar, e mesmo que tentasse levantar a cabeça pra beijá-lo, não conseguia. Bufando, eu disse, rangendo os dentes:
"Ah, você vai me pagar por isso! Nossa, vai me pagar muito caro!"
O maledetto sorriu ironicamente e sussurrou no meu ouvido:
- Não vejo a hora... quero ver se você consegue manter esse fogo todo por muito tempo...
Tentando roubar um beijo dele, mas sem sucesso, eu disse, ainda arfando:
"Você vai ver que a água daquele lugar é até que fresquinha perto de mim! Você vai ver o que te aguarda!"

Afffeeeeee eu poderia ter ficado ali, com ele deitado sobre mim, pra sempre! Mas logo nos recompusemos, afinal eu teoricamente tinha ido ao quarto dele só pra dar a notícia! Ele saiu de cima de mim, rindo, e eu me levantei. Arrumei meu cabelo olhando no espelho do armário e dei uma alisada na minha roupa. Fomos pra sala, e a dona Norma e a mãe dele, é claro, falavam sobre receita de não-sei-o-quê. É, eu tinha descoberto que a dona Norma sabia como dar um chapéu bem dado numa pessoa. E ela ter feito isso por mim e pelo Pedro só aumentou a minha admiração por ela. Ela estava se arriscando, e eu estava muito agradecido.

Voltamos pra casa, depois de a dona Marisa agradecer umas trezentas vezes e pedir desculpas outras tantas-centas vezes. No carro, silêncio. A dona Norma olhava fixamente na rua, mas eu sabia que ela estava com a cabeça em outro lugar. Então eu comecei a dizer:
"Obrigado por..."
- 'Obrigado' coisa nenhuma! O senhorito vai tratar de cuidar direito daquela piscina três vezes por semana, e sem reclamar heim! E nada de deixar a cama bagunçada pra coitada da Rita ter que arrumar. Ela tem mais o que fazer.
"Que mercenária!", eu repliquei, rindo, mas espantado ao mesmo tempo. "A senhora tá me chantageando!"
- Que chantageando o quê, moleque! - ela revidou, tentando disfarçar o riso. - Onde já se viu, um rapaz de quinze anos não arrumar a própria cama! Já tá na hora já! Só calhou dessa ser uma boa hora pra te lembrar disso.
Affe! Ela estava me saindo melhor que a encomenda! Uma bela política, isso sim! Dando lá pra tomar cá! Mas tudo bem. Em primeiro lugar porque, no fundo, eu sabia que ela tava certa, e, em segundo, porque valeria a pena. E como valeria. O duro seria esperar quase um mês!
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 21:23:45

XXIII - Operação Rio Quente (parte I)


* Ouvindo: Smash Mouth's "All Star"


"Well the years start coming and they dont stop coming
Fed to the rules and I hit the ground running
Didnt make sense not to live for fun
Your brain gets smart but your head gets dumb
So much to do so much to see
So whats wrong with taking the back streets
Youll never know if you dont go
Youll never shine if you dont glow"

*****************

Imprudente? Sim. Idiota? Provavelmente. Louco? Até o último fio de cabelo. Acham que eu estava me importando??? Sério, quando eu, sentado ali no portão, logo depois de ele ir embora, tive a idéia, não pensei duas vezes. O dinheiro, eu tinha. A vontade então, nem se fala. Até convencer a dona Norma a ir conosco eu consegui! Claro que ela não é idiota. "Dona Norma, a senhora está precisando de umas férias!", eu argumentei. A resposta dela me desarmou: "Sim, e levar vocês dois pra passear é mesmo férias né???". Bem... eu poderia ter dito a ela que poderia ficar despreocupada, que nem nos veria, pois estaríamos namorando o tempo todo, e fazendo coisas que até o diabo duvidaria (bem, pelo menos eu esperava isso ^^), mas achei melhor não dizer. O tiro poderia sair pela culatra, hehe.

Mas depois que a dona Norma concordou, já era. Eu fui pro computador e fiz as reservas. Usei o cartão de débito da minha poupança, fechei os olhos e cliquei em OK, hehehe. Affe! Puxa, às vezes acho que a gente precisa fazer algumas coisas que, à primeira vista (talvez à segunda e terceira também, huhu) parecem idiotas. Sei lá, alivia. Seja um grito bem alto no meio da rua, sair correndo que nem besta dentro do Shopping, ou... ou gastar uma grana numa viagem com o namorado e a governanta uhuhuhauahua! Bem, é realmente cômico. Ou.. era pra ser. Depois de muito relutar, e de muita chantagem emocional da minha parte, a dona Norma aceitou, já sabendo, é claro, que eu só a havia convidado porque, afinal de contas, o Pedro e eu tínhamos quinze anos e seria impossível conseguirmos viajar sozinhos. Não que a companhia dela não seja boa, mas... ah... eu ia viajar com o meu namorado, no aniversário dele... se fôssemos só nós dois seria mais... kawaii!!!! ^^

Então, justamente por isso, quando ela concordou eu quase subi pelas paredes de alegria. Só faltava contar pro Pedro. No dia seguinte, depois que eu entreguei a folha da reserva pra ele, ele ficou me olhando com uma cara de incredulidade. Não por causa do preço, porque eu o apaguei - claro, rs -, mas pela situação mesmo. Na hora eu até axei exagero dele, mas depois, pensando melhor... bem, eu estava convidando o meu namorado de 15 anos para ir comigo pra Goiás, passar 5 dias na Pousada do Rio Quente, sozinhos! - ou quase. Eu devia estar tão empolgado, mas tão exultante que ele logo deixou a perplexidade de lado e começou a se animar com a idéia. Eu podia ver na carinha dele aquela expressão do Chaves ("e zás, e nós vamos pra Acapulco, e zás, e ver o mar, e zás, e zás!"), sabem??? Foi bem isso!
Mas é claro. Tinha um porém, que eu já havia dito pra ele: a autorização. Os pais dele iam ter de autorizá-lo. Eu, é claro, já tinha digitado as malditas autorizações("autorizo meu filho, fulano-de-tal, a viajar acompanhado por Norma-blá-blá, no período de blá blá blá"), e entregado a do Pedro. A minha eu talvez pedisse para a minha mãe assinar. Mas provavelmente teria de falsificar sua assinatura - não porque ela não deixaria, e sim porque provavelmente não apareceria em casa mesmo. Isso era de boa. Mas algo que dizia que nem tudo seria assim tão fácil. Bingo.

Lá pelas duas e meia da tarde, depois de eu quase fazer um buraco no chão do meu quarto de tanto andar de um lado pro outro ao lado do telefone, o Pedro ligou. Estava claramente tentando disfarçar a voz de choro.
- Cara... que merda meu... falei com a minha mãe, e ela não deixou...
Preciso dizer o que eu senti? Sabe quando você é criança e compra aquele sorvete enorme e, quando vai dar a primeira lambida, derruba no chão? Pois foi assim.Claro que eu não tinha motivo pra ficar com raiva da mãe dele, mas na hora me passaram pela cabeça nomes que eu nem sabia que conhecia. Fiquei desesperado. Caraleo, eu já tinha feito tantos planos! Já tinha me imaginado abraçadinho com ele na água quente (mesmo que isso nao pudesse acontecer), dormindo com ele na mesma cama com a porta-janela da varanda aberta, deixando o vento assoprar a cortina branca pra dentro do quarto... ficar grudado a ele 24 horas por dia, durante quase uma semana, sem largar um só minuto! E agora aquilo. Que ódio!!! Quando eu fui falar, senti que a minha voz também já estava alterada.
"Affe... meu lindo... por que ela não deixou???"
Ele suspirou e respondeu, tentando imitar a voz dela:
- 'Eu já morro de vergonha por você ficar indo lá assim, todo dia, como se não tivesse casa, como se não tivesse pais! Imagine a minha cara de ver os pais dele pagando uma viagem pra você!', e por aí foi...
"Mas que droga! Não tem como convencê-la mesmo???"
- Tá foda, cara... ela tá empacada que nem jumento...

Eu achei melhor não concordar. Fiquei em silêncio, pensando no que eu já havia pensado praquela situação. Só havia uma coisa a fazer. E eu fiz. Depois que terminei de falar com o Pedro, corri até a área de serviço, onde a dona Norma estava com a Rita (a moça que vem limpar a casa). Puxei ela prum canto e expliquei a situação, e a minha idéia. Ela ficou indignada.
- Onde já se viu! Se a mãe disse que não, é não! Como você quer que eu vá la e desautorize a mãe? Tá louco! Onde já se viu, não, eu concordei em ir, em levar vocês, mas isso já é demais. Já concordei com essa história aí, sei bem por que vocês quiseram que eu fosse, não nasci ontem não. Se a mãe do Pedrinho deixar, tudo bem. Senão, nada feito.
Essa foi difícil. Foi necessário todo o meu poder de persuasão pra convencê-la do contrário. Levei quase uma hora e meia, mas então ela pegou o carro pra ir até a casa do Pedro. Eu liguei no celular dele e disse pra ele se trancar no quarto e não sair de lá. Uns quinze minutos depois a dona Norma e eu chegávamos lá, dona Marisa (mãe do Pedro) abrindo a porta pra gente. Na teoria, alguns minutos antes, foi muito mais fácil. Encará-la ali foi uma barra. Senti a pressão nos ossos. Apesar de ela nao saber de nada, eu sentia como se ela me olhasse com uma lupa. Ela nos convidou a entrar, e até ofereceu "uma xícara de café". Estava um pouco desconfortável. É claro que ela sabia por quê estávamos ali. E claro que ela achava que eu só tinha ido pra deixá-la sem graça de recusar. E é óbvio que foi só por isso que eu fui. Mas estava jogo duro. A Ddona Norma já foi com os dois pés nos peitos da mulher:

- Dona Marisa, eu sei como é, criei três filhos, sei bem como é. A gente não quer deixar sair da barra da nossa saia. Mas você acha que eu ia levar essa molecada se eles não fossem comportados? A senhora sabe o filho que tem, e eu cuidei do Patrick desde que ele sujou as primeiras fraldas.

Que simpático da parte dela dizer aquilo! Na minha frente! Eu quase morri de vergonha, e teria morrido se o Pedro estivesse ali. Se o Túlio estivesse ali eu teria dado um soco na dona Norma. Brincadeira, hehehe... a mãe do Pedro umas horas parecia que ia ceder, outras que ia nos expulsar dali.

- Dona Norma, olha, eu agradeço mesmo. Deus sabe como eu tenho vergonha! Esse garoto parece que nao tem casa! Fica dia e noite lá na casa de vocês, é duro pra uma mãe isso. A gente tem brio na cara né?
Quando ela falou, eu até me surpreendi com a dona Norma. Não sabia que ela era capaz de mentir.
- Mas não é pra ter vergonha de nada não, os dois ficam lá, estudando, fazendo esporte, se divertindo! Melhor dentro de casa do que na rua! Debaixo dos nossos olhos eles não vão ficar fazendo besteira, nao vao fazer nada errado. E olha, dona Marisa, eu digo que a senhora e o seu esposo podem ter orgulho do filho de vocês, é um garoto de ouro! Educado que dá até gosto! A senhora tá de parabéns. Já disse pro Patrick aqui, ele teve muita sorte de ter um amigo que nem o Pedro. Então o que tem demais os dois irem se divertir um pouco, pra esquecer essa correria de escola?
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  • Postado em 21:21:37