Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!

Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!
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Arquivo de: Fevereiro 2007

11.02.07

XXXI_Mors_omnia_solvit

Ouvindo: Gary Allan's "Best I Ever Had"
*
So you sailed away
Into a grey sky morning
Now I'm here to stay
Love can be so boring
And nothing's quite the same now
I just say your name now
*
But I'ts not so bad..
You're only the best I ever had
You don't want me back
You're just the best I ever had
*
So you stole my world
Now I'm just a phony
Remembering the girl
Leaves me down and lonely
We'll send it in a letter
Make yourself feel better
*
But I'ts not so bad..
You're only the best I ever had
You don't want me back
You're just the best I ever had
*
*
*
Ouvindo: Billy Dean's "Somewhere In My Broken Heart"

*
You made up your mind
It was time it was over
After we had come so far.
I think there's enough pieces
Of forgiveness
Somewhere in my broken heart.
*
I would not have chosen
The road you have taken,
It has left us miles apart.
I think I can still find
The will to keep going,
Somewhere in my broken heart.
*
So goodbye, go ahead and fight it
Till you find out who you are,
And I, I will keep my love unspoken
Somewhere in my broken heart.
*
I hope that in time you will find
What you long for,
Love that's writen in the stars.
When you finally do,
I think you will see it
Somewhere in my broken heart.
*
*
*
Os doze dias e quinze horas depois dele ter me dito, na salinha de estudos do colégio, que ia viajar, foram como que um simples borrão na minha vida. Se eu disser que lembro de alguma coisa deles, que lembro de verdade, estaria mentindo. Eu estava flutuando no mundo, somente existindo, sem viver de verdade. Não lembro se doeu ou se foi algo simplesmente nulo, como se algo me causasse muita dor mas eu a aliviasse com morfina. O Pedro fez algumas provas antecipadamente, alguns trabalhos para os professores que não queriam fazer uma prova só pra ele, e na última semana de novembro ele foi embora. Deixou o CD com a dona Norma e pediu pra ela me entregar. Coitada, ela havia percebidoq ue havia alguma coisa de errado, e que eu estava estranho - afinal não estar o tempo todo com ele era sem dúvida muito estranho. Mas não disse nada, provavelmente pensou que havia sido só um desentendimento passageiro. Que logo tudo estaria bem novamente. Coitada, a dona Norma realmente passou o cão comigo, depois que o Pedro foi embora...

Eu não tenho muita certeza de como foi que eu cheguei ao dia seguinte de ele ter partido. É sério. Ele deixou o CD em casa na hora do almoço, quando supus que ele estivesse indo pra São Paulo. Fiquei a tarde inteira sentado na cama, ouvindo aquela música mais vezes do que qualquer pessoa sã faria numa vida. A dona Norma apareceu diversas vezes no quarto, me chamando pra almoçar, então desistiu e, no meio da tarde, me trouxe um monte de comida no quarto. Não toquei em nada. Eu só queria ficar ali, na minha cama, com os braços em volta dos joelhos, onde apoiava o queixo. Chorando. Não compulsivamente, descontroladamente, como eu cheguei a achar que seria. As lágrimas simplesmente não paravam de rolar pelo rosto, mas tão silenciosas quanto constantes.

A luz do sol foi morrendo junto com a tarde, e lá pelas oito horas eu estava sozinho, na escuridão, por fora e por dentro de mim, ainda digerindo o que aquilo tudo significava. Ele foi embora, dizia meu cérebro, e ponto. Foi embora e te deixou uma mensagem dizendo que era "preciso dizer adeus", que era "melhor esquecer", que queria me lembrar o quanto "foi lindo o que morreu". Isso meu cérebro dizia. E meu coração ficava o tempo todo ruminando o "o que morreu". Como assim? Como assim morreu? O pai dele o mandou pra porra do Canadá e o bilhete aéreo matou o que ele sentia por mim?

Eu senti tristeza, raiva, ódio, remorso, angústia, medo, solidão e, quando já era de madrugada, senti... nada. As lágrimas pararam. Meu coração se rendeu ao meu cérebro, que não conseguia entender por que, mas sabia que era aquilo, que havia acabado. Que fora lindo, mas que morrera. Não sabia quem ou o quê matara, mas sabia que tinha morrido. E eu percebi que realmente havia morrido quando me esforcei para me lembrar dos momentos que haviam sido lindos - qualquer um - e não consegui, provavelmente porque eu não queria lembrar de verdade. Naquele momento, quando o sol começava a querer nascer novamente, era como se o avião dele, que provavelmente estava chegando no Canadá, tivesse explodido. O primeiro raio de sol nasceu e, com ele, morria o Pedro. E não dizem que a morte resolve tudo?
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 02:30:52