Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!

Memórias de um puto não-virgem

E aí??? Eu sou o Patrick, 17 anos, interior de São Paulo. Sou bissexual e resolvi escrever este blog pra gravar em algum lugar as coisas que têm me atormentado, pensamentos, dúvidas, indecisões, decisões, minhas primeiras experiências! Até mais!
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Terra Blog

03.04.07

XXXIII_Um_novo_dia_parte_I

*Ouvindo: Nickelback’s “Savin’ me”.

“Show me what it's like
To be the last one standing
And teach me wrong from right
And I'll show you what I can be
And say it for me
Say it to me
And I'll leave this life behind me
Say it if it's worth savin' me”


Pensando melhor, agora, se existe o inferno, e não é o que vivemos todo dia, certamente foi aquilo pelo que eu passei nos meses seguintes à partida do Pedro para o Canadá. Dizem que "aquilo que não me mata me fortalece", não é mesmo? Pois naquela época eu não pensava assim. Logo que ele se foi parecia, sim, que aquela dor ia me matar. Mas depois... passou. Acho que o meu cérebro simplesmente bloqueou o Pedro por um tempo, talvez como um meio de auto-defesa. Eu já não pensava mais nele, e, pra ser bem sincero, não pensava em mais coisa alguma. Parecia que eu tinha um vácuo dentro da cabeça, e nada mais tinha muita importância.

As aulas acabaram em Dezembro, eu fiz os testes e fiquei em Matemática, mas por muito pouco, e consegui recuperar no exame. Eu já estava de saco cheio de ir à escola, queria apenas ficar quieto no meu canto. Mas eu estava fazendo um esforço pra dona Norma não ficar muito preocupada comigo. Eu disse a ela que o Pedro e eu havíamos terminado, só por um tempo, enquanto ele estava no Canadá. Não podia contar toda a verdade pra ela. Não podia dizer que o Pedro tinha estraçalhado meu coração, porque o que eu sofri com isso já havia sido suficiente, não estava afim de sofrer por vê-la também chateada com isso tudo. Seria desnecessário, afinal... afinal já havia passado e acabado mesmo.

Pelo menos no começo das férias eu ficava o dia todo em casa, no video-game, no PC, na piscina ou sentado na cama, ouvindo música. Mas é claro que logo os jogos acabaram, as músicas começaram a se repetir e eu já criava aversão à água. Sem falar, é claro, que eu fazia tudo isso sozinho. E desconfio que, por mais traumático que seja o fim de um relacionamento, e por mais que nós queiramos distância do mundo por algum tempo, vamos invariavelmente, mais dia menos dia, sentir falta nem que seja de estar em meio a outras pessoas. E no fim de Dezembro eu senti isso. Comecei a sair um pouco de casa. Ia ao shopping Santa Úrsula pra ver filme, ao clube jogar tênis, enfim, simplesmente pra não ficar em casa. E foi aí que começou.

Era uma terça-feira, e eu estava no Regatas, o clube onde ia jogar tênis, na quadra coberta, esperando dois caras terminarem o jogo. O lugar estava cheio, na maior parte de pessoas da minha idade, entre uns 14 e 18, mais ou menos (afinal era no meio da semana). Tinha uma galera com raquetes, esperando pra poder jogar, e algumas pessoas que aparentemente só tinham ido assistir aos jogos. Eu lá, sentado de boa, com a minha raquete nas costas, quando chegou um garoto perto. Ele devia ser da minha idade, talvez pouca coisa mais nova, tinha cara de bobo, cabelo meio compridinho (marrom com umas mechas loiras), de olhos escuros. Acho que hoje ele seria um emo, mas não era moda ainda dois anos atrás. Enfim. Ele chegou perto e, quando eu olhei pra ele, ele disse, parado de pé na minha frente: "E aí, tudo certo?"

Ele tinha a voz e o jeito meio femininos, e eu pensei: "o que esse cara quer?" Então entendi. Assim que eu respondi, com um "tudo beleza, e contigo?", ele olhou para trás - coisa que aparentemente não devia ter feito. Havia 2 garotas lá do outro lado da quadra, que quase se jogaram atrás da muretinha de madeira pra se esconderem. Usaram o pobre garoto pra vir falar comigo. Como ele ficou vermelho de vergonha, talvez pensando que tinha "estragado tudo", eu dei corda, e disse:
“Quem são as suas amigas?”
Completamente sem graça, e atropelando as palavras, ele respondeu:
- Minhas amigas.
Pensando bem, fez sentido a resposta. Eu que fiz a pergunta errada. Então tentei de novo:
“Mas por que elas te mandaram aqui?”
- Sei lá... querem conversar com você".

Eu notei que elas ainda olhavam na nossa direção, então me levantei e comecei a andar até o lugar onde elas estavam. E, é claro, elas tentaram disfarçar das piores maneiras possíveis. Ambas tinham cabelos escuros, mas uma delas havia, sem muito sucesso, tentado fazer mechas vermelhas no seu – mechas que já estavam desbotando. Parecia um mico-leão. Elas deviam ser da minha idade, senão pouca coisa mais novas. E estavam morrendo de vergonha.
Quando eu finalmente cheguei até elas, com o garoto vindo atrás de mim, as cumprimentei com um aceno de cabeça e disse: “Oi. Meu nome é Patrick. Vocês queriam falar comigo?”

Absolutamente desconcertadas, as duas gaguejaram e ficaram uma olhando pra outra, coisa que, confesso, me irritou profundamente. Puta que pariu, se elas queriam falar algo, que desembuchassem! Mas hoje percebo que, à época, eu estava transtornado demais pra perceber que a atitude delas era bastante razoável. Eu que estava impaciente demais, deveria ter sido um pouco mais condescendente. De qualquer modo, por fim, vencendo a timidez, a mais baixa delas disse (eu não lembro o nome delas, então vou colocar qualquer um):
- Eu sou a Marília. Esta é a Luísa, e esse é o Gustavo. Nós também estudamos no COC, só que somos da sétima série.. Você estava no 1º Colegial né?
“Sim”, respondi. “Pensando melhor, acho que já vi vocês lá no Colégio”, menti. Eu realmente não lembrava deles. “Mas o que vocês queriam me falar mesmo?”
- Vai ter uma festa hoje na chácara do Luis Guilherme, do segundo colegial, você conhece?
Luis Guilherme. Um dos imbecis que andavam com o Túlio Henrique e, apesar de serem mais velhos que ele, babavam ovo para o bacanão.
“Conheço.”
- Então, você quer ir? – perguntou a tal Marília. Os outros dois pareciam dois vasos de samambaia, imóveis e mudos.

Apesar de ter cogitado seriamente responder “não”, afinal era na chácara do Luis Guilherme – um dos garotos que me zoaram muito quando eu me mudei para o COC – disse que sim. E desconfio que foi pelo mesmo motivo – o de ter sido zoado. E, além disso, uma festa provavelmente fosse me fazer bem.
“Precisa de ingresso?”, eu perguntei.
- Dá pra ele – comandou a Marília ao tal do Gustavo, que meteu a mão no bolso da calça e me entregou um pedaço de papel, no qual, num dos lados, estava impresso o nome e a data da festa, e no outro, um pequeno mapa de como chegar à chácara.
“Quanto é?”, perguntei.
- Nada. É de presente.
Apesar de achar aquilo tudo muito estranho, decidi não argumentar. Simplesmente agradeci, e a Marília disse:
- Você tem com quem ir?
“Eu... não.”
- Quer ir com a gente? Vamos sair da casa da Luísa, o irmão dela vai nos levar.
“Beleza. Como eu faço?”
- Me passa seu celular, que eu te ligo e nós combinamos. Te pegamos em algum lugar, na sua casa, no Shopping, sei lá.

Eu dei a ela o número do meu celular e ela me passou o dela. Então olhei no relógio e vi que já passava das seis da tarde. Hora de ir embora, a dona Norma estava indo me pegar. E a festa começava dali a três horas.
  • criado por  Soubi criado por Soubi
  • Postado em 13:05:26
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